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Tratamento de Nevus de Ota com Q-Switched Ruby Laser - Relato de Caso
Borelli, Dra. Shirlei S. - dermatologista
Jorge, Dra. Ana Paula F. - dermatologista
O Nevus de Ota foi descrito originalmente por Ota e Tanino em 1939. Foram descritos 4 tipos baseados na localização e intensidade da cor;
Tipo I : Unilateral
Tipo II : Bilateral
Tipo III : Congênito
Tipo IV : Adquirido
Nevus de Ota é uma lesão macular, azul-acinzentada, que atinge área inervada pelo nervo trigêmeo e/ ou seus ramos. ( por exemplo: nervo oftálmico )
Atualmente existem tentativas de se classificar mais detalhadamente o Nevus de Ota , de acordo com a localização, correlacionando a área comprometida com o ramo do nervo trigêmeo correspondente.
Histologicamente o Nevus de Ota é classificado como uma lesão benigna, localizada na derme papilar e reticular superior.
A pigmentação desta lesão é devida a melanócitos intradérmicos que produzem melanina ativamente.
O Q-Switched Ruby Laser atinge um comprimento de onda de 694 nm ( luz vermelha ), é pulsado ( de 20 a 40 nsegundos ) e tem se mostrado altamente efetivo no clareamento de tatuagens, assim como lesões pigmentadas da pele. Devido ao seu comprimento de onda de 694 nm ( longos comprimentos de onda correspondem a uma penetração mais profunda na pele ) o Q-Switched Ruby Laser é mais efetivo para clarear lesões dérmicas profundas, no caso os Nevus de Ota.
Mecanismo de Ação
Acredita-se que o clareamento da lesão, sem deixar cicatriz, se deve ao mecanismo de fototermólise seletiva onde, apenas o alvo cromóforo é atingido, sem lesão da pele ao redor. Isto ocorre pois a amplitude do pulso escolhido é menor ou igual ao tempo de relaxamento térmico do alvo, no caso os melanossomos ( estes possuem um tempo de relaxamento térmico rápido, de 50 a 100 nsegundos e o Q-Switched Ruby Laser produz pulsos rápidos, com amplitude entre 20 e 50 nsec ). Portanto o melanossomo alvo, seletivamente, absorve a luz do laser levando ao aumento da temperatura, que por sua vez causa um dano térmico do mesmo e por fim sua destruição. Os macrófogos, então, se encarregam de retirar os restos celulares do melanossomo destruído.
Caso clínico
MGML, 34a, feminina, Brasileira, branca, natural e procedente do Paraná, casada, apresenta em região periocular , temporal e malar esquerda mácula azul-acinzentada, desde o nascimento e que foi diagnosticada clinicamente como Nevus de Ota. A Paciente procurou nosso serviço para tentar o clareamento da lesão há 13 meses.

1.antes do tratamento
Há 12 meses iniciamos o tratamento com o Q-Switched Ruby Laser. Até o momento foram realizadas 7 sessões, sempre sob anestesia local com xylocaína 2%. Os parâmetros do aparelho variaram entre 7,1 e 10,0 joules/cm2 e o comprimento de onda sempre longo. Os resultados até o momento se mostram satisfatórios.

2.depois do tratamento
Conclusão
O tratamento do Nevus de Ota com o Q-Switched Ruby Laser tem sido reportado como excelente terapêutica a esta patologia, sem causar danos à pele, portanto com resultado estético ótimo, sem cicatriz. Outros procedimentos cirúrgicos poderiam ser adotados, porém sempre determinando a troca do nevus por uma cicatriz.
Acreditamos que a potência ideal de terapêutica nestes casos é de 10 joules/cm2. Em todos os nossos casos tratados não houve mudança de textura ou cicatrizes na pele, daí indicá-lo como excelente sugestão terapêutica para esta patologia, onde, até então não havia solução esteticamente adequada.
Referências bibliográficas
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